A rede municipal de saúde de Barueri deu um passo histórico rumo à inclusão plena. Em uma parceria inédita entre a Secretaria de Saúde e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SDPD), teve início na última segunda-feira, 9 de fevereiro, um treinamento especializado em língua brasileira de sinais (libras) voltado exclusivamente para os servidores da saúde.
O projeto visa romper as barreiras de comunicação que, muitas vezes, dificultam o atendimento de pacientes surdos em unidades de urgência e emergência. Com o curso, Barueri reafirma seu compromisso em ser uma cidade inteligente e humana, onde a tecnologia e a capacitação caminham juntas para o bem-estar do cidadão.
Estrutura do treinamento e adesão recorde
As aulas ocorrem no auditório do Centro de Especialidades, sempre às segundas-feiras. Para garantir que o maior número de profissionais pudesse participar sem prejudicar o cronograma das unidades de saúde, a prefeitura disponibilizou duas turmas: uma no período da manhã e outra à tarde.
Ao todo, 50 vagas foram oferecidas para esta fase inicial, e a procura superou as expectativas. As vagas foram preenchidas rapidamente por atendentes, técnicos em enfermagem e outros profissionais que lidam diretamente com o público em UBSs e prontos-socorros de Barueri.
O cronograma do curso é robusto:
- Duração: 15 aulas presenciais.
- Carga horária: 30 horas de oficina teórica e prática.
- Encerramento: previsto para o dia 1º de junho de 2026.
- Certificação: todos os participantes receberão declaração de conclusão (com limite de até três faltas).

Aula inaugural e o foco na humanização
A abertura do treinamento contou com a presença do secretário de saúde, Milton Monti, e da secretária-adjunta da SDPD, Mônica Garone. Durante o evento, as autoridades destacaram que a iniciativa vai além do enriquecimento cultural do servidor; trata-se de um aprimoramento técnico essencial para a segurança do paciente.
Para o secretário Milton Monti, entender as queixas de um paciente em sua língua nativa é fundamental para um diagnóstico preciso. Já Mônica Garone incentivou os alunos a aproveitarem a expertise dos instrutores de libras disponibilizados pela sdpd, reforçando que a comunicação eficaz é um direito de todos.
Desmistificando a língua de sinais no atendimento público
Na primeira aula, os instrutores Jackson Silva e Flávia Bizzozero explicaram um ponto crucial: muitos surdos dominam a libras, mas possuem dificuldades com a língua portuguesa escrita ou com a leitura labial. Isso torna o domínio dos sinais obrigatório para uma recepção hospitalar eficiente.
Os alunos já iniciaram o aprendizado prático com o alfabeto manual e conceitos básicos de saudação e identificação. A proposta é que, ao final das 15 aulas, o profissional seja capaz de realizar o primeiro acolhimento, identificar sintomas e orientar o paciente surdo sobre os próximos passos do atendimento.
"O aprendizado de libras na saúde reduz o medo e a ansiedade do paciente surdo ao chegar em um hospital. Ele passa a ser visto e ouvido em sua totalidade", destacaram os instrutores.
Integração com a comunidade: o Café com Libras
O interesse pelo curso também é impulsionado por eventos consolidados na cidade, como o Café com Libras. Organizado pela SDPD, esse encontro já faz parte da agenda oficial da comunidade surda de Barueri e cidades vizinhas, como Carapicuíba e Osasco.
A integração entre as secretarias mostra que Barueri está criando um ecossistema de apoio à pessoa com deficiência. Profissionais capacitados na saúde geram um efeito cascata positivo, incentivando outros setores da administração pública a buscarem o mesmo nível de excelência na acessibilidade.
Instrutores e suporte pedagógico
Para garantir a qualidade do ensino, o curso conta com uma equipe especializada da secretaria dos direitos da pessoa com deficiência:
- Flávia Bizzozero: Instrutora responsável pela turma da manhã.
- Jackson Silva: Instrutor responsável pela turma da tarde.
- Adna Trevizan: Assistente pedagógica de suporte às turmas.
A secretaria de saúde já estuda a abertura de novas turmas ainda para o segundo semestre de 2026, visando cobrir 100% das unidades básicas de saúde do município com pelo menos um profissional fluente ou básico em libras por turno.
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A iniciativa de Barueri é um exemplo de como a gestão pública pode ser mais inclusiva. Conte para nós nos comentários: você acha que o ensino de libras deveria ser obrigatório em todas as escolas e repartições públicas?
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Fonte: PMB
Fotos: Ana Guice / Secom Barueri

