O morador da Grande SP começou a semana com o mercado financeiro em turbulência. Dólar e juros em alta, disparou nesta segunda-feira (26) e, em poucas horas, mudaram as contas de quem pretende financiar, parcelar ou repor estoque antes do fim do ano.
Para famílias e comerciantes de Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira e Santana de Parnaíba, entender esse movimento agora ajuda a evitar decisões caras nas próximas semanas.
O que aconteceu com o dólar e juros em alta nesta segunda
Na primeira sessão após o segundo turno, o dólar à vista subia 8,65%, a R$ 5,424, às 9h03. Pouco depois, por volta das 9h40, a moeda disparava 12,25% e era negociada a R$ 5,604. Na sexta-feira (23), o dólar comercial havia encerrado próximo de R$ 4,99.
Dólar hoje sobe 8,65% e passa de R$ 5,42 após a reeleição de Lula.
A B3 acionou o mecanismo de interrupção das negociações, algo que não ocorria desde março de 2020. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a semana.
Segundo a Reuters, o mercado avaliava que outro resultado aumentaria as chances de ajuste nas contas públicas, e o câmbio passou por forte correção.
Nos juros futuros, o movimento foi ainda mais sensível. A taxa do DI para janeiro de 2035 saltou de 12,68% para 15,375% ao ano por volta das 10h. Com isso, a curva de juros futuros zerou a precificação de cortes na Selic.
Por que isso importa se a Selic ainda está em 13,75%
Em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, no quinto corte seguido. A expectativa era de novos cortes até dezembro.
Agora, essa aposta ficou em suspenso. A próxima decisão sai na reunião de 3 e 4 de novembro, com anúncio a partir das 18h do segundo dia.
O ponto central é este: os bancos não esperam o Copom para reprecificar o crédito. Eles usam a curva de juros futuros como referência. Essa curva antecipa os juros esperados para os próximos anos, e sua alta encarece o crédito longo de famílias e empresas.
Na prática, financiamento de carro, imóvel e capital de giro com taxa prefixada tende a ficar mais caro já nos próximos dias.
Inflação já estava acima do teto
O cenário chega num momento delicado. Em setembro, o IPCA subiu 0,82% e acumulou 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de setembro foi de 0,83%.
Dólar mais caro costuma chegar às prateleiras em semanas, principalmente em produtos com componentes ou insumos importados.
O impacto no bolso das famílias da região
A boa notícia é que o endividamento vinha dando sinais de alívio. Segundo a CNC, 81,7% das famílias tinham dívidas em setembro, na primeira queda do indicador no ano, e a inadimplência recuou para 29,6%.
Mas a pressão segue maior entre os mais pobres: 84,6% das famílias com renda de até três salários mínimos estão endividadas. E o cartão de crédito responde por mais de 85% dos endividados.
O custo dessa dívida já é altíssimo. Em agosto, o Banco Central registrou taxa média de 15,18% ao mês no rotativo do cartão. No cheque especial, o teto é de 8% ao mês para pessoas físicas e MEIs.
O que tende a ficar mais caro
• Celulares, eletrônicos e eletrodomésticos, com grande peso de peças importadas
• Combustíveis, influenciados pelo preço internacional do petróleo em dólar
• Compras internacionais e viagens, com conversão imediata no cartão
• Novos financiamentos prefixados, que acompanham a curva de juros
• Alimentos com insumos importados, como pães e massas feitos com trigo
• Comércio de Osasco, Barueri e região: estoque, preço e Black Friday
A Grande SP concentra polos de varejo, shoppings, centros logísticos às margens da Castello Branco e do Rodoanel e empresas que dependem de importação.
Em Osasco, por exemplo, os principais itens importados em 2026 foram partes e acessórios de veículos (US$ 81,3 milhões) e instrumentos e aparelhos para medicina (US$ 70,5 milhões). São setores que sentem o câmbio diretamente no custo.
A conta é simples. Um lojista que precisa pagar US$ 100 mil a um fornecedor desembolsaria cerca de R$ 499 mil com o dólar de sexta. A R$ 5,60, o mesmo pagamento passa de R$ 560 mil — mais de R$ 60 mil de diferença em um único fim de semana.
O momento é sensível porque o comércio se prepara para a Black Friday, em 27 de novembro, e para o Natal. Quem já comprou estoque com o câmbio anterior tem margem para manter preços. Quem ainda vai repor deve enfrentar custo maior.
O que fazer agora: orientações práticas
Para as famílias:
Não tome decisões no calor do dia. O comportamento do dólar nesta segunda ainda não define uma tendência permanente para o câmbio.
Fuja do rotativo e do cheque especial. Se já está neles, avalie trocar por crédito mais barato, como consignado ou portabilidade.
Contrato com taxa fixa já assinado não muda. Quem vai financiar agora deve comparar o Custo Efetivo Total (CET) em mais de um banco.
Adie compras internacionais que não sejam urgentes.
Para o comércio local:
Revise a precificação de itens com reposição dependente de importação.
Negocie prazos com fornecedores antes de fechar pedidos para o fim do ano.
Evite travar capital de giro prefixado longo enquanto as taxas estiverem estressadas.
Planeje a Black Friday com base no estoque que já está em mãos.
O que esperar para os próximos dias
O mercado agora olha para os sinais de Brasília. Antes do Copom de 4 de novembro, investidores aguardam o nome do ministro da Fazenda e a meta fiscal para 2027.
Vale lembrar que, antes da eleição, a mediana do Boletim Focus projetava dólar a R$ 5,05 no fim de 2026. Se a volatilidade diminuir, parte da alta pode ser devolvida. Se persistir, o Banco Central pode interromper os cortes da Selic.
Para o morador da região, a regra é cautela: proteger o orçamento, evitar dívidas caras e acompanhar a decisão do Copom.
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